Composição – Como estimular a Criatividade?

Composição

Por: Paul Baloche
Tradução: Renato Marinoni

Doze Chaves para Destruir o Bloqueio para Compor

Todos nós temos momentos quando a música flui livremente. E todos nós temos momentos quando o céu parece de bronze e nós não podemos “romper” espiritualmente. Ou, talvez, nós estejamos em um momento quando todas nossas canções estão começando a soar iguais, ao menos para as outras pessoas. Como nós podemos conseguir mudar isso e “fluir” novamente? Isso depende do que está causando o bloqueio.

Se for porque estamos espiritualmente secos e não temos nada “fresco” para dizer, a resposta é óbvia — nós precisamos beber da Água da Vida. Mas se estamos musicalmente secos, talvez precisemos ouvir outras músicas. Especialmente quando nós tentamos escrever em um estilo que não estamos acostumados, nós precisamos “mergulhar” neste tipo de “correnteza” por um tempo. Nós não queremos copiar as ideias de outras pessoas, nós queremos apenas aprimorar e refrescar nossa memória com as características desse gênero.

O Apóstolo Paulo escreveu a Timóteo, “Reavive o dom que há em ti.” Ele estava se referindo ao dom espiritual, mas os mesmos princípios se aplicam ao dom musical. Exercícios de aquecimento preparam atletas e cantores pra altas performances, e isso funciona para compositores também.

Tente algumas dessas ideias para dar início a esse fluir de criatividade:

 

1. Mudança de Acordes

Encontre uma coleção de boas canções e procure por mudanças de acordes incomuns. Eles podem desencadear novas ideias melódicas que não ocorreriam a você de outra forma. A mudança de acordes com a qual você começou pode nem aparecer na versão final de sua canção – mas ela serviu como um salto inicial quando a sua “bateria” estava baixa.

2. Padrões Rítmicos

Selecione um groove e comece a cantar algumas ideias de letras em cima disso. Novos reefs podem desencadear novas melodias. Muitas músicas de hoje, incluindo muitas canções de adoração modernas, incorporam o uso de loops de baterias na sua criação. Essas ferramentas podem inspirar você com influências rítmicas sutis, que talvez você não tivesse pensado.

3. Outro Tom

Se você tem o hábito de procurar melodias nos tons de C (Dó), D (Ré) ou Em (Mi Menor), que têm a tônica na região mais grave, tente começar tocar em F (Fá), G (Sol) ou Am (Lá Menor), que põe a tônica mais na região média. Isso vai te forçar a sair das melodias que acabam terminam pra cima ou pra baixo. Você pode ter um sentimento totalmente diferente em um desses novos tons. Ou tente experimentar tons que você geralmente não toca porque eles são muito difíceis. Trabalhe neles até que eles se tornem fáceis. Isso não vai apenas te tornar um músico mais completo, mas pode até sugerir novas melodias pra você, evitando que seus dedos caiam sempre onde as ideais podem ser “comuns”. Talvez você precise tentar lugares diferentes pra novas ideias.

4. Escrevendo A Cappella

Tente procurar por uma melodia sem usar algum instrumento. O problema é que nossos dedos tendem a desenvolver hábitos próprios, e quando nós deixamos, eles se movimentam do jeito que eles estão acostumados, nos mesmos velhos lugares vez após vez. Quando nós os tiramos deste processo, nós estamos liberados para seguir em uma nova direção. Nós podemos encontrar acordes para nossa melodia depois. Um dos meus caminhos favoritos para escrever é andar pelo quarto e começar a cantar passagens das Escrituras ou linhas do meu diário – “cantando minhas orações.” Isso vai te levar a lugares que você nunca iria com um violão nas mãos.

5. Outro modo

Quanto tempo faz desde que você começou a escrever em um tom menor? Não se esqueça deles; eles podem te levar a uma paisagem musical totalmente nova.

6. Experimentando Novas Escalas Tonais

Toque essas novas escalas e veja que ideias surgem. Por exemplo, comece sua melodia no terceiro grau da escala. Então, tente começar no sexto grau, ou no segundo. Isso é muito legal. Você ficará surpreso ao ver como uma mesma melodia soa diferente ao começar em tons diferentes da escala.

7. Associando Acordes à Letra

Olhe atentamente para suas palavras – qual é o sentimento principal de sua mensagem? Que tipo de acorde você vai precisar? Tente colocar os acordes apropriados, nas palavras-chave corretas ou frases, tais como:

• Uma 9a. (Nona) ou uma 6a (Sexta) e 9a (Nona) para uma cena belíssima
• Uma 7a (Sétima) Maior para um pensamento pacifico e sereno.
•Uma tríade sem terça (um acorde C5 ou G5) para uma característica celta.
• Uma IV ou “6a menor” para um sentimento de nostalgia

Veja que ideias melódicas surgem delas. Então, trabalhe pra trás e para frente disso, para fazer sua melodia.

8. Abaixe o Tom do Seu Violão

Afine a sua corda E (Mi) mais grave em D (Ré) e experimente tocar com essa afinação nova. Ou afine sua corda E (Mi), mais aguda, meio tom abaixo e cada acorde soará diferente. E (Mi) irá ser Emajor7 (Mi com sétima Maior), etc. Isso pode criar um “clima” diferente, cheio de novas ideias.

9. Toque Junto com Uma Gravação

O que você está procurando é apenas um início – coloque alguma coisa pra tocar de um gênero que já provou ser bem sucedido. Depois que você já tocou por um tempo, desligue essa gravação, e melhore suas próprias ideias. Você pode descobrir que você “virou a esquina” e que algo novo está surgindo de você mesmo. Alguma coisa nisso pode parecer como o começo de uma canção. Mas quando você terminar ouça novamente à gravação pra se certificar que o que você fez é realmente seu. Lembre-se, no entanto, em todas essas tentativas – não crie uma melodia mecânica. Use esses mecanismos apenas como um começo e então, deixe sua criatividade assumir. Quando você está experimentando, você pode ligar um gravador e esquecer-se dele. Se algo bom surgir, você já tem gravado. Se não, você não perdeu nada.

10. Dê um Tempo

Relaxe. Se você tem trabalhado duro por muito tempo na sua canção e as ideias pararam de fluir, você provavelmente levou sua criatividade à exaustão. Dê uma volta e coloque sua mente em outra coisa, algo que você goste e que não exija muita concentração. Um pouco de descanso pode, literalmente, recriar sua habilidade de pensar e resolver problemas. Quando você voltar, você poderá ter um grande avanço. Eu, algumas vezes, vou cortar grama quando eu estou “preso em um ponto e fico ruminando algumas ideias.

11. Durma Com Isso

Aparentemente, existe razão nesta velha sabedoria. Tem um estágio no nosso sono, quando nossa criatividade está no seu máximo. No momento antes de irmos dormir, “puxe” na sua mente uma canção na qual você está trabalhando. Quando você acorda, faça isso de novo e veja se algo novo apareceu.

12. Ore Sobre Isso

Algumas vezes, mesmo com os nossos melhores esforços para melhorar nossas ideias, nós ainda não sabemos o que fazer, e se nós temos um prazo, então, nós estamos encrencados. É aí que nós precisamos de uma ajuda extra especial, da Fonte de nossa criatividade. (É claro que isso não significa, “Espere tudo dar errado – então ore.”)

Glossário:

Groove: é o andamento da música, a levada da música. Ele deve ser definido no ensaio por toda a banda. Os principais responsáveis pelo groove são o baixo e a bateria.

Reef: são notas em sequência, tocadas ao mesmo tempo por toda a banda, como parte do arranjo. É uma frase musical marcante, que pode caracterizar uma melodia.

A Capella – música cantada somente com as vozes, sem o acompanhamento de instrumentos.

 

Texto utilizado com autorização, enviado pelo autor para o portal APOIO MINISTERIAL

Paul Baloche é líder de louvor por muitos anos, com vários Cds gravados pela Integrity Music  e considerado um dos melhores compositores cristãos da atualidade, autor  de músicas como “Open the Eyes of My Heart”, “Sing Out”, “Above All”, “God of Wonders”, “Offering”, entre outras.

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13 respostas para “Composição – Como estimular a Criatividade?”

  1. Gabriela disse:

    Quanta consistência! Incrível a riqueza contida em poucas palavras! E, que dicas preciosas… além do modo didático ao expor o assunto, tornando a possibilidade de conciliar prática à teoria muito maior.
    Parabéns pelo site!!!
    Está abençoando a minha vida e ministério.

  2. Mary disse:

    Este artigo parece até uma ministração de um congresso meu Deus!!!
    Uma abordagem dentro da palavra que contempla tanto a parte técnica quando a espiritual. Amei! Estão de Parabéns!!!

    Que Deus continue abençoando ricamente!

  3. Darlen disse:

    Este artigo foi muito proveitoso para mim. Super interessante. Quero saber se alguém tem alguma referência de livros que fale sobre composição. Estou procurando e não consigo encontrar. Alguém poderia me ajudar???

  4. Jonathas Nery disse:

    Muito interessante o artigo, digo isto porque ele apresenta uma idéia de que é preciso organizar as idéias, e isto é fundamental não somente pra quem compôe, mas para todos aqueles que escrevem ou criam algo de qualquer natureza. Deixo a dica de que é muito importante se alimentar, explico: tudo aquilo que produzimos está ligado diretamente ao que consumimos, portanto tudo que lemos, ouvimos e aprendemos influirá no trabalho final, então se quer compor bem, leia muito, escute muito e estude bastante, o resultado final depende deste “pequeno” preço que devemos pagar!!!
    Um abraço ao Jean e ao Renato meus professores no CTM!!!

  5. Joel Félix disse:

    Nossa… muito bom!!
    Lembrei das aulas de composição da Ana…
    rsrs

  6. Diana Luna disse:

    ô gente… Bom demais isso hein??
    Deus vai fazer bombar… Tô divulgando muitoOoOo

  7. Bruno disse:

    Caraca!
    que bacana esse artigo! gente essa foi uma ideia do céu! que Deus abra muitas portas!
    Saudades dos amigos Jean e Renato!

  8. Patience disse:

    All of these arctiles have saved me a lot of headaches.

  9. julio disse:

    pow q bençao esse artigo…abriu minha mente agora…
    ja tive composiçoes com arranjos parecidos…tava tendo dificuldades com isso…comecei a ouvir coisas novas e deu certo..novas ideias surgiram…muito obrigado,,,

  10. deb disse:

    eu adorei este artigo, parabens bro

  11. Celina Machado disse:

    Passei pra dizer que foi um complimento para meu conhecimento!!! Aleluia…

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