A importância do treinamento III

Som

Leia também:
A importância do treinamento I
A importância do treinamento II

Terceiro e último artigo da série de estudos sobre: “A importância do treinamento dos ‘técnicos de som’”.

Esta série foi escrita por Jean Haberman, atual técnico de som do ministério Nívea Soares, técnico em eletrônica e elétrica geral, professor de sonoplastia e recursos audiovisuais do CTMDT (Centro de Treinamento Ministerial Diante do Trono), palestrante em diversos eventos e workshops sobre técnica de som e ministério de louvor, já sonorizou em eventos para diversos cantores e ministérios de renome no Brasil e no mundo.

3 – Responsabilidade judicial

Outro aspecto que precisamos estar atentos é o testemunho que damos ao mundo enquanto instituição igreja. Queremos a todo custo atrair as pessoas para nossas igrejas, mas às vezes fazemos completamente o contrário quando nos reunimos para cultuar.

Conheço várias igrejas que têm problemas com a vizinhança e até mesmo com a polícia no que diz respeito ao volume de som produzido em suas reuniões, ouvi de igreja que são literalmente apedrejadas no momento do louvor, e outras que foram interditadas e lacradas por “desrespeito às leis municipais e estaduais” relativas à emissão sonora.

Há uma resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), CONAMA 001/90, como referência das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT 10.151 e 10.152 – que determina a utilização do som em locais públicos e privados, que diz:

“A emissão de ruídos, em decorrência de quaisquer atividades industriais, comerciais, sociais ou recreativas, inclusive as de propaganda política, obedecerá, no interesse da saúde, do sossego público, aos padrões, critérios e diretrizes estabelecidos nesta Resolução.”

Constitui-se em direito fundamental do indivíduo, previsto no artigo 5º, inciso VI, da Constituição Brasileira a realização de cultos religiosos. A lei é clara ao assegurar o livre exercício dos cultos religiosos e garantir, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias, porém, segundo a Resolução CONAMA 001/90 deve-se conciliar essa liberdade com a preservação do meio ambiente evitando a chamada “Poluição Sonora”.

Posso afirmar que mais de 95% das edificações civis preocupam-se exclusivamente com a arquitetura e a estética, isso infelizmente se reflete na maioria das igrejas de nosso país, onde o mais importante é o mármore da plataforma e o batistério, deixando para os técnicos a árdua tarefa de sonorizar o ambiente.

Em outros países é muito mais comum a construção civil trabalhar em harmonia com a engenharia de áudio, sendo vista de forma tão importante que foi criado o conceito chamado acústica arquitetônica, que visa a antecipação dos problemas quanto a reverberação e outros problemas acústicos e a solução dos mesmos através dos projetos arquitetônicos

Precisamos tomar muito cuidado com a acústica de nossos templos. E se você é pastor e esta lendo este livro, te aconselho a submeter o projeto de construção de seu templo à supervisão de um engenheiro acústico, e assim seguramente você evitará problemas em relação a reformas para a melhoria da acústica, nem tão pouco gastará rios de dinheiro com equipamentos para reduzir os efeitos provocados pelo ambiente.

O formato do local, a altura do teto e os materiais que compõe o ambiente devem ser analisados exaustivamente, isso irá trazer uma economia gigantesca para a igreja na hora de sonorizar o ambiente.

4 – Responsabilidade técnica

Deixei esta parte para o final porque o intuito deste material não é somente trazer conhecimento técnico, mas também promover uma maior compreensão do papel e da importância dos ministros de som em nossas igrejas. É claro que quanto mais conhecimento técnico o ministro de som tiver, maiores serão os benefícios para a igreja.

4.1.        Otimização na utilização dos equipamentos

Quando não existe a possibilidade de se possuir um equipamento ideal, o ministro de som, detentor de um bom conhecimento técnico, pode “tirar leite de pedra” como dizem por aí, não que ele deva fazer milagres, mas ele poderá tirar o máximo daquilo que está em suas mãos. É claro que existem limitações que estão condicionadas aos equipamentos que se possui, mas assim como alguém que tenha conhecimento pode fazer muito com pouco, o contrário também acontece e com muito mais freqüência.

Conheci igrejas com condições financeiras privilegiadas e que por falta de instrução ou atenção investiram em equipamento, contudo se esqueceram de investir em pessoas, e acabaram com equipamentos muitos bons que faziam no máximo o básico. Nossos cultos não precisam ser tremendos shows de rock, mas o mínimo que se espera é que sejam agradáveis de ouvir, fáceis de entender e não provocar dificuldades aos músicos, cantores e ministrantes.

Outro aspecto a ser lembrado é que quando equipamentos são usados de forma correta sua vida útil será prolongada. O mau uso dos equipamentos aumenta o risco de defeitos e nos leva a necessidade de reposição ou conserto, e graças ou não a lei de Murph, equipamentos costumam dar defeito na hora em que mais precisamos.

4.2.        Otimização na utilização dos recursos

Um ministro de som atento e bem treinado trará economia para a igreja, pois ele será capaz de escolher os equipamentos adequados para cada situação, muitas vezes as igrejas gastam dinheiro com equipamentos baratos, mas que em longo prazo trarão mais prejuízo que benefícios, equipamentos que precisarão ser substituídos por serem praticamente “descartáveis” ou por não atenderem às necessidades da igreja.

Existem muitos vendedores “espertinhos” que tiram vantagem da falta de conhecimento de seus clientes. Uma pessoa inexperiente pode acabar comprando um equipamento que seja demasiadamente desnecessário para a aplicação desejada, seria praticamente como comprar um computador de ultima geração para utilizar somente a calculadora.

Na hora de comprar, o ministro de som deve se fazer as seguintes perguntas:

1-    Qual aplicação do equipamento?
2-    Com que freqüência (periodicidade) o equipamento será usado?
3-    Qual o resultado que se espera?
4-    Necessidade ou luxo?
5-    Posso comprar algo melhor e mais caro, mas que me fará evitar uma substituição no futuro?
6-    Posso substituir por algo mais barato que trará o mesmo efeito, mas que não comprometerá a qualidade?

Tendo em mente essas perguntas, vai ficar muito mais fácil adquirir o equipamento certo e identificar se é realmente a hora certa para a compra do mesmo.

Jean Haberman
Técnico de som, professor do CTMDT e palestrante
Atual técnico de som do ministério Nívea Soares
twitter.com/jeanhaberman

Compartilhar:

4 respostas para “A importância do treinamento III”

  1. invisalign disse:

    Ótimo texto! Aprendi muito durante a leitura desse estupendo artigo. Esse post é tão interessante que tive que colocá-lo no Reddit, espero que não se importe.

  2. FELIPE RODRIGUES disse:

    Excelente matéria.
    Realmente sofro na pele o tópico 3, nossa igreja passou por uma grande reforma onde crescemos em tamanho de templo em praticamente 4X, porém não tivemos um acompanhamento na parte de acústica, na época eu não influenciava muito até por ser novo de idade e de ministério, e hoje nos sofremos para tirar reverberação da igreja principalemente em cultos de público, pois sabemos que o nosso corpo também ajuda a absorsão do som. Por isso que a equalização do som vai ser diferente para um domingo onde todos estão na igreja e para uma terça-feira de estudo bíblico onde vem 20% da igreja.
    Com relação a equipamentos me falta conhecimento com relação a marcas e caracteristicas e tempo e local para pesquisa. Encontrar esse site com certeza vai ajudar bastante.
    Abraços.

  3. JOAO RAYMUNDO disse:

    Professor eu gostaria de aproveitar a oportunidade e relatar um fato muito importante que venho observando na maioria das igrejas da minha cidade.Principalmente aquelas pequenas em fase inicial, como também já tive a oportunidade de ver em algumas igrejas consideradas grandes.
    É a falta de preparo técnico vocal, para louvar. É um fato bastante constrangedor. Na minha opinião, deveria haver uma preparação , com relação a interpretação, uso do microfone. Enfim. Melhorar a qualidade das interpretações. E quando há o que eu particularmente chamo de fanatismo religioso. fica horrível.
    Um outro fato é com relação a diferença do uso do microfone unidirecional para o multi-direcional. É uma constante o mal uso do microfone por parte dos pregadores, com relação a esse detalhe. Seria muito importante, que o senhor editasse uma matéria a respeito.

    eu

Deixe uma resposta